No café lindo

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No café lindo

Mensagem  diva30 em Dom Jun 24, 2012 11:33 pm

Começou como havia de começar. Não havia outro destino para elas. Márcia era uma jovem jornalista intelectual. Júlia era a executiva mais elegante que circulava aos arredores daquele quarteirão. Talvez de toda a cidade. Um café em uma tarde a meio sol era lei para ambas. E como não se viram antes? Faltavam os detalhes, os mínimos detalhes. Noutro dia Márcia levantara para sair e logo Júlia sentou em seu lugar, não trocaram sequer olhares. Outrora elas se esbarravam no supermercado, mas como desconhecidas não se viam. Márcia pagou com três moedas para facilitar o troco para Júlia. Os pedidos de café muitas vezes vinham na mesma bandeja e duas vezes trocados.
_ Tem alguém no banheiro?
_ Já deve sair.
O quadro na parede era mais interessante. Não havia as trocas, eram apenas duas pessoas em uma fila. Duas pessoas que não conheciam seus destinos cruzados.
Certa sexta pela manhã e diferente de sua rotina, Márcia acorda mais cedo e vai ao café para despertar. Júlia precisava chegar mais cedo ao trabalho, dia longo de reunião. No café tudo era como devia ser. Um pedido, um café, a conta.
_ Por favor um café duplo Sandrinha que hoje preciso despertar! – Pede Márcia à amiga de longa data Sandra, desde os tempos do primário.
_ Caiu da cama princesa? Retruca a amiga.
_ Na verdade não consegui dormir. Tenho uma matéria para fazer que está me deixando louca. Não sei por onde começar. Meu redator já me cumprimenta como despedida.
_ Nossa amiga, que eu me lembre isso é novidade para você. Aqui o café. Duplo.
_ Bom dia Júlia, hoje é dia de todos acordarem mais cedo? Tudo bem? Um café descafeinado e o que a traz aqui tão cedo?
Uma voz suave e levemente rouca com tom de mulher madura retruca:
_ Desliga aquela empresa da tomada que eu não sou liquidificador.
Murmuro de risos ao seu lado e longo olhares curiosos e sonolentos.
_Sandrinha, amiga, vou indo.
E olhando para a loira estonteante ao seu lado conclui Márcia:
_ Antes que eu vire sopinha de liquidificador.
Risos e mais olhares.
Depois de um dia cansativo, Márcia retorna ao café e senta dessa vez em uma mesa mais isolada, parecia cansada, triste.
_ Nossa amiga, não fazemos massagem aqui. Quer um chá de sai-pra-lá-urucubaca?
_ Ai Sandrinha só você mesmo para me animar depois de um dia desses. Mistura tudo nesse chá que quero ir embora dormir.
_ Cruz credo, vou colocar sal grosso.
Risos.
Júlia sai do trabalho e cansada pensa em ir embora direto para casa. No caminho resolve que um cafezinho não seria perda de tempo, como sempre.
Como de costume chegou e sentou nas mesas do fundo, com seu notebook ligado à mesa.
_ Por favor Sandra um chá com tudo que tem direito para ver se eu volto a respirar.
_Minha nossa, com sal grosso também? Hoje é dia...
Risos.
Márcia levanta e sem querer esbarra na cadeira de Júlia, e em sua total dessintonia prende um dedo entre elas.
_Ai caramba!
_ Calma que te ajudo – prontamente Júlia.
_ Muito obrigada, salvou meu dedinho e colocou sua cadeira no meu pé.
_ Desculpa, como sou desastrada.
_ Não você é um liquidificador.
Risos.
_ Antes, agora sou um radinho sem pilha. Hoje o dia foi muito corrido e acabou a força.
Ambas percebem que seus olhos estavam mutuamente perdidos.
_ É...Eu me chamo Márcia, prazer.
_ Sou Júlia, prazer é meu. Posso me redimir se sentar e tomar um café comigo?
_ Olha eu estava de saída, mas este será seu castigo. Mesmo sabendo que agiu tentando me ajudar.
Mais risos.
Longas conversas, mais cafés, chás, olhares. De repente não havia mais cansaço, elas estavam enérgicas. As pernas as vezes se encontravam no entusiasmo e logo uma desculpa intencional.
Júlia sentiu um calor ao toque de Márcia em suas mãos, e em meio a tanta fala sua mente paralisou naquele momento e não mais ouvia a falante de seu lado. O mundo havia congelado.
_ Júlia? Júlia?
_ Ah, oi... Estava no mundo da lua.
_ Percebi, ouviu alguma coisa que falei?
_ Sim...Não...Desculpa..É que...Que lindos olhos azuis você tem.
Júlia não entendeu porque tinha falado aquilo, que vergonha sentiu.
Márcia explodiu por dentro, um elogio de uma mulher maravilhosa como aquela, não entendeu o que lhe aconteceu, mas agradeceu o elogio.
Ambas perceberam a tensão, a excitação, os olhares, os lábios molhados. O momento era riquíssimo de sensações e não havia palavras, elas fugiram de suas bocas. Um silêncio eterno percorria aquele segundo interrompido por Sandra:
_ Acho que o chá fez efeito para as duas não é?
Júlia e Márcia ainda contemplavam em seus profundos olhares e nenhuma palavra parecia sair, quando Márcia, ainda sem tirar os olhos de Júlia diz:
_ Parece que fez efeito mesmo, estou muito melhor.
Márcia sentiu as coxas de Júlia levemente encostando-se às suas e suspirou fundo.
_ Bom, desejam mais alguma coisa?
_ Não, obrigada Sandra, já estamos de saída.
Estamos? Perguntou Márcia para si, mas entendeu o recado.
_ Por minha conta, por meu desastre – disse Júlia.
_ Não, eu não sentei por esse motivo. Vamos dividir.
“Não sentei por esse motivo?” Por qual então eu sentei? Perguntou para si Márcia novamente. Nada mais fazia sentido, queria apenas tocar aquela mulher a sua frente.
Como Márcia caminhava até o trabalho, não usava seu carro, por isso aceitou a carona para seu apartamento.
Na despedida um beijo no rosto que toca o cantinho dos lábios. Márcia abre os olhos e parecia que fora o melhor beijo de sua vida. Sem censura pergunta:
_ Sobe?
_ Vamos para o meu – responde Júlia.
No caminho um silêncio repleto de vontades, de curiosidades. Márcia olhava a silhueta das coxas, queria tê-las nua. Aquele perfume parecia feitiço.
Chegando ao apartamento Márcia diz que se sentiria melhor com um banho. Júlia a leva até o banheiro. Que olhares profundos.
_ Por que não toma comigo?
Júlia faz sinal positivo e retorna com um champanhe.
_ Dia longo e noite mais longa ainda – celebra Júlia entrando ao lado oposto da banheira completamente nua, sem pudor.
Márcia já dentro observou aquela deusa, as suas curvas, a sua perfeição.
Brindaram pela noite. Júlia não resistiu aos olhares por muito tempo, tomou um gole e escorregou suas mãos para as pernas delicadas de Márcia e logo inclinando para perto de sua boca. Que beijo macio, molhado, terno, ardente. Elas se entregaram àquele momento. As mãos percorriam os seios enrijecidos. Márcia leva as mãos na nuca de Júlia e traz para mais perto de si, provocante morde-lhe os lábios, beija-lhe o pescoço. Que sintonia mais perfeita, tudo eram ondas de sussurros e prazeres. Mais champanhe, menos palavras, mais toques, menos pudor.
_ Vamos para a cama? – Indaga Júlia
Com um beijo Márcia acena positivamente àquele pedido.
Júlia sai da água e Márcia se perde naquele corpo, que seios redondos, desenhados, as coxas grossas de músculos e femininamente desenhadas, aquela barriguinha trabalhada, que vontade de morder que deu. Logo Júlia estende uma toalha para Márcia que sai já puxando aquele corpo para si e beija-a com ardor.
O caminho até a cama fora longo, entre paradas e risadas chegaram ao destino e ali se consumiram.
E de repente já era dia. O sol batia na janela e a vontade era de esquecer o mundo. E podiam, era um lindo sábado ensolarado. Café-da-manhã na cama e juras de eterna felicidade.
E Sandra? Ela já sabia desde o começo, um dia elas se encontrariam e seriam muito felizes juntas

diva30

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